A percepção de um forasteiro no Carnaval do Rio, por Tetsuo Takita

Vim falar sobre o carnaval, mas, antes, gostaria de compartilhar uma outra alegria.

No final do ano passado, me permiti um feito, ir ao show da Madonna. Um sonho!

Mas o que ela tem a ver com a periferia, ou melhor com cultura de periferia?

Tudo. Madonna é uma grande artista, qualquer um que assistir o show dela e tiver percepção aguçada verá várias mensagens humanitárias e contra preconceito, e de amor à humanidade.

Fico feliz quando vejo artistas em determinadas posições que, filosoficamente falando, não só entertain us, mas dão o seu recado. Corajosos!

Ela também é politicamente libertária e corajosa nas suas atitudes.

E passando ao carnaval…

O carnaval no Rio também é incrível, não a instituição, a indústria do carnaval, embora ela empregue também muitos artistas, mas o espírito de liberdade que ele  inspira nas pessoas comuns. É como se eu estivesse dentro da letra da música “Vai passar”, do Chico Buarque.

É tanta beleza… Não só nos blocos da zona sul, mas principalmente em Madureira, e em outros bairros da periferia. A beleza dos bate-bolas e dos reis e rainhas que surgem, da fantasia, e que no resto do ano servem ao Rio de Janeiro em diversas funções não menos dignas. Mas que muitas vezes são impedidas de sonhar… Por isso o carnaval é importante, pois nesses dias “o que é considerado pela sociedade lixo pode e vira luxo”.

Uma tv japonesa escolheu um dia de desfile das escolas de samba para, no Sambódromo, testar uma novíssima tecnologia. Acredite se quiser, uma tv com mais alta definição do que a já nossa conhecida HD.

Sou catarinense, e na cidade em que nasci não tem um carnaval com tanta raiz e significado. Minha mãe já morava aqui no Rio de Janeiro quando eu era criança. E eu sonhava em ver ao vivo o que somente via pelos cartões-postais de carnaval que ela me enviava, com uma fita cassete com os sambas-enredo de 1987, que eu ouvia e sei de cor até hoje. Mas “cariocando” há cinco anos aqui, aprendi o sentido carnavalesco e percebi que as cores mais lindas (pouco percebidas pela tv, mesmo agora, apesar da high definition) estão embaixo das fantasias, na tez das peles dos cariocas, de todos os tons e nuances, e nos tambores dos corações do morro São Carlos, da Pedra do Sal e de todas as  favelas, a mil, num rito orgiástico carnavalizado, e num grito de liberdade aflorado, pelo menos no carnaval liberado.

Bom seria se descobríssemos que podemos ser o que quisermos, na hora que quisermos, e não só no carnaval! É PERMITIDO! SOMOS SERES LIVRES, EMBORA ELES NÃO QUEIRAM QUE DESCUBRAMOS ISSO! Eu já descobri, acho que os Quebradeiros também, só falta a sociedade, quase sempre hipócrita, aceitar e respeitar isso.

Vida sem sonhos é a morte! VIDA LONGA AOS CORAJOSOS!

 

Por Tetsuo Takita

Foto: Sandra Lima

2 comentários sobre “A percepção de um forasteiro no Carnaval do Rio, por Tetsuo Takita”

  1. Vc, Denise Kosta e Vinícius Melich fizeram a ponte para a realização desse sonho que foi irmos convidados ao show de Madonna. Naquele dia que estávamos sonhando. acordados corajosamente atuando no curta sobre o Rio rs.

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