Carnaval de Cabo à Rabo: fundamentos do carnaval com Fred Góes

A palestra busca mapear o universo do carnaval, sob diferentes perspectivas: histórica, geográfica, antropológica, sociológica, musical e literária. As origens do rito e a apropriação deste em terras americanas.

O carnaval do Brasil terá como foco o do Rio de Janeiro desde os tempos colônias aos nossos dias, isto é, desde o ENTRUDO, forma trazida pelos colonizadores portugueses, à fixação do CARNAVAL popular carioca que ganha feição a partir da década de 1930, momento em que o samba ganha status de “a música brasileira por excelência” e a marchinha produzida, majoritariamente, por compositores de classe média, faz a crônica da cidade.

O carnaval contemporâneo e suas mais expressivas formas: Escola de Samba; Blocos e Clovis.

Para leitura:

Conheça o professor Fred Góes.

18 comentários sobre “Carnaval de Cabo à Rabo: fundamentos do carnaval com Fred Góes”

  1. Vim falar sobre o carnaval, mas, antes, gostaria de compartilhar uma outra alegria.

    No final do ano passado, me permiti um feito, ir ao show da Madonna. Um sonho!

    Mas o que ela tem a ver com a periferia, ou melhor com cultura de periferia?

    Tudo. Madonna é uma grande artista, qualquer um que assistir o show dela e tiver percepção aguçada verá várias mensagens humanitárias e contra preconceito, e de amor à humanidade.

    Fico feliz quando vejo artistas em determinadas posições que, filosoficamente falando, não só entertain us, mas dão o seu recado. Corajosos!

    Ela também é politicamente libertária e corajosa nas suas atitudes.

    E passando ao carnaval…

    O carnaval no Rio também é incrível, não a instituição, a indústria do carnaval, embora ela empregue também muitos artistas, mas o espírito de liberdade que ele inspira nas pessoas comuns. É como se eu estivesse dentro da letra da música “Vai passar”, do Chico Buarque.

    É tanta beleza… Não só nos blocos da zona sul, mas principalmente em Madureira, e em outros bairros da periferia. A beleza dos bate-bolas e dos reis e rainhas que surgem, da fantasia, e que no resto do ano servem ao Rio de Janeiro em diversas funções não menos dignas. Mas que muitas vezes são impedidas de sonhar… Por isso o carnaval é importante, pois nesses dias “o que é considerado pela sociedade lixo pode e vira luxo”.

    Uma tv japonesa escolheu um dia de desfile das escolas de samba para, no Sambódromo, testar uma novíssima tecnologia. Acredite se quiser, uma tv com mais alta definição do que a já nossa conhecida HD.

    Sou catarinense, e na cidade em que nasci não tem um carnaval com tanta raiz e significado. Minha mãe já morava aqui no Rio de Janeiro quando eu era criança. E eu sonhava em ver ao vivo o que somente via pelos cartões-postais de carnaval que ela me enviava, com uma fita cassete com os sambas-enredo de 1987, que eu ouvia e sei de cor até hoje. Mas “cariocando” há cinco anos aqui, aprendi o sentido carnavalesco e percebi que as cores mais lindas (pouco percebidas pela tv, mesmo agora, apesar da high definition) estão embaixo das fantasias, na tez das peles dos cariocas, de todos os tons e nuances, e nos tambores dos corações do morro São Carlos, da Pedra do Sal e de todas as favelas, a mil, num rito orgiástico carnavalizado, e num grito de liberdade aflorado, pelo menos no carnaval liberado.

    Bom seria se descobríssemos que podemos ser o que quisermos, na hora que quisermos, e não só no carnaval! É PERMITIDO! SOMOS SERES LIVRES, EMBORA ELES NÃO QUEIRAM QUE DESCUBRAMOS ISSO! Eu já descobri, acho que os Quebradeiros também, só falta a sociedade, quase sempre hipócrita, aceitar e respeitar isso.

    Vida sem sonhos é a morte! VIDA LONGA AOS CORAJOSOS!
    http://www.universidadedasquebradas.pacc.ufrj.br/a-percepcao-de-um-forasteiro-no-carnaval-do-rio/

  2. É triste como comunidades foram deslocadas para se fazer o carnaval e como recentemente têm tentado fazer isso e novo, até peguei um depoimento em vídeo de Otávio Avancini, carnavalesco da Pimpolhos da Grande Rio conversou comigo sobre esta triste realidade. Tentei postarno Festival Internacional do Minuto. No outro semestre já postei aqui a minha visão sobre o carnaval do Rio, não acho o texto, mas friso aqui a minha admiração por essa gente que não colhe os loros mas que dá o sangue e faz o espetáculo mais lindo da Terra. E é muito lindo ver os bate bolas mostrados no épico documentário do nosso querido Marcus Faustini, recentemente no evento tradicional Revela SP estive vendo um desfile que me lembrou muito os bate-bolas, tá aqui nesse link ao final do registro http://www.festivaldominuto.com.br/videos/32584?locale=pt-BR

  3. A GESTÃO POPULAR DO CARNAVAL NAS PERIFERIAS ANOS 70 E 80.
    Pequena Contribuição da Memoria sobre o Carnaval de Rua daquela época.
    Vivo na Cidade de Deus, bairro por decreto municipal, e favela ou comunidade conforme a idade de quem nomeia, localizada na zona oeste do Rio.
    Sua ocupação, resultado de uma política de remoção das favelas da zona sul acelerada pela trágica enchente de 1966/67. Naquele território marcado na ocasião por total abandono de políticas publicas, jovens, adultos e idosos protagonizaram coletiva ou individualmente grande e diversa produção cultural.
    Dentre tantas, destaco aqui o Carnaval popular amador.
    Assim, surgiam em algumas praças ou micro regiões daquele lugar, blocos carnavalescos ( a maior parte , hoje extinta) que adotavam, guardas as devidas proporções, uma gestão muito semelhante as estruturas de organização das grandes escolas de samba de hoje. Só para ilustrar menciono aqui alguns nomes: bloco da Lata; bloco dos Anjinhos; Coroado; Luar de Prata; Garimpeiros; Bloco das Piranhas (homens vestidos com as roupas das esposas e namoradas e que depois ou antes dos desfiles, jogavam, assim fantasiados, uma partida de “pelada” em campos improvisados nas praças enlameadas).
    Os blocos saiam pelas principais ruas da comunidade rompendo as barreiras impostas pelos traficantes rivais e arrastavam a multidão. A maior parte destes blocos promovia concurso para escolha de fantasias e sambas enredo.
    E uma comissão formada somente por moradores locais, organizava um desfile em parte de duas principais ruas de acesso, Edgard Werneck e Mal Salazar Mendes de Moraes, fechando o desfile o GRES Acadêmicos da Cidade de Deus. Numa das ocasiões fui responsável por circular o livro de ouro, uma das estratégias de captação de recursos financeiros, entre os comerciantes, para ajudar na organização dos desfiles.
    Esta comissão de carnaval também promovia o intercâmbio entre blocos dos bairros vizinhos, assim, blocos da Taquara (Bafo do Bode era um deles), da Freguesia e da Curicica desfilavam na Cidade de Deus e alguns dos nossos blocos desfilavam nos bairros vizinhos.

    Com este relato, sinalizo como sendo interessante um estudo sobre fatores e aspectos impactantes na sociedade destas manifestações e representações populares, origens, crescimento e declínio.

  4. ROGÉRIA REIS NÃO OUVI ESTE TROCADILHO SOBRE A RENASCER EM CRISTO , POIS FUI EU QUE LEVANTEI ESTA QUESTÃO , POIS REALMENTE O MESTRE DE BATERIA DA MANGUEIRA E UM PASTOR DESTA CONGREGAÇÃO , COMO SOU EVANGÉLICA TAMBÉM ME SENTI MUITO INCOMODADA COM AS COLOCAÇÕES MAIS TE APOIO NAS SUAS GÊNERO NUMERO E GRAU DALE QUEBRADEIROS 2013 ,
    A Hora é essaaaaaa! Vamos quebrar tudo!!!!! Fora toda intolerância religiosa!!!!

  5. O GRES PORTO DA PEDRA E UMA ESCOLA DE SAMBA DE PEQUENO PORTE , AO SE COMPARAR COM OUTRAS DE RENOME ; ALGUMAS VEZES EM SEUS ENREDOS RETRATOU A IMPORTÂNCIA DA MULHER COM GRANDE MAESTRIA .
    POR ESTE MOTIVO ESTOU COMPARTILHANDO COM OS AMIGOS QUEBRADEIROS ALGUNS DESTES MOMENTOS , REPASSANDO A SINOPSE DO ENREDO E A LETRA DO SEU SAMBAS NO ANO DE 2016

    “Bendita és tu entre as Mulheres do Brasil”

    O INÍCIO: A criação do Universo e a essência do feminino

    No princípio era o Verbo. Ou o caos primordial. Ou o vazio ilimitado. Até que, da escuridão, fizeram-se a luz, o movimento e a matéria, o firmamento, a Terra, os animais e os homens. Em todos os mitos de criação do Universo se encontra a essência do feminino. Nos mitos platônicos da criação, a passividade feminina é um fato: a mãe é receptáculo de todas as coisas criadas e visíveis e não há de ser chamada terra, fogo, ar ou água. Podemos referir que quanto mais se caminha à frente no tempo, mais se desvanece a importância do feminino.

    E fez-se a luz…
    Fez-se o céu e a terra,
    A água e a natureza
    Beleza incontestável
    Do Senhor da Criação.
    E do Verbo nasceu o homem
    Para comandar a evolução.

    Mas faltava algo…
    E sem sua sabedoria divina…
    Deus de uma costela do homem…
    Criou a mulher…

    Obra prima do Criador…
    Que aos seus olhos encantou…
    E ela então ao recém criado mundo veio…
    Com a sua meiguice e beleza…
    A obra prima de Deus coroar a Vida

    “A Escolhida” A Mulher que mudou o mundo

    Como mãe de Jesus, ela ocupa um papel importante na trajetória feminina: é o fio condutor do exemplo feminino a ser seguido, a Mãe das Mães, a Mãe do Mundo. Mulher corajosa que aos quinze anos de idade aceitou a missão de abrigar em seu ventre o filho de Deus. Uma missão que incluía o sofrimento de perdê-lo cedo e de maneira trágica. Maria, “A Escolhida” concebe sob o divino Espírito Santo. De tudo que foi dito concluímos que a criação está profundamente ligada ao princípio feminino e a mulher. Pois até Deus, para se tornar humano, precisou de um corpo de Mulher…
    Oh Maria! Bendita és tu entre as Mulheres!!

    O tempo passou…
    O mundo mudou…
    E Deus pai todo-poderoso…
    A este mundo um filho seu queria enviar.
    Necessitava, pois de uma mulher especial…
    E assim como tal…
    “Ela” entre todas foi a “Escolhida”…
    Para o filho de Deus pai…
    Em seu ventre abençoado…
    Este menino Deus gerar.

    Mulheres que fizeram história

    Aqui começa nossa história: Índias, negras, brancas, valentes e vilãs, escravas ou nobres, elas escreveram a nossa história e nos ajudam a entender o Brasil de hoje.

    A mulher cresceu…
    Evoluiu…
    Desbravou o mundo…
    Fez o bem e fez o mal
    Experimentou,
    Criou,
    Descobriu,
    E com isso o mundo evoluiu.

    Vários anos se passaram…
    Muitas valorosas mulheres por aqui reinaram…
    Bravas guerreiras dos tempos de luta.

    Mulheres especiais de todos os continentes…
    Fez-se cada dia mais presente…
    Não importando a raça, credo, cor ou religião…
    Pois de seus ventres abençoados foram gerados…
    Homens e mulheres que deveriam ser todos irmãos.

    Mulheres Guerreiras do Brasil

    Elas queriam justiça, liberdade e independência e cada qual com suas armas e seus ideais construíram a idéia de Pátria e ajudaram a construir a nação.

    Mulheres fiéis…
    Mulheres responsáveis…
    Mulheres servis…
    Todas elas com as suas devidas importâncias…
    Que deixando de lado a sua insegurança…
    Partiram para a luta…
    A fim de conquistarem o seu lugar…
    Não se importando com a discriminação…
    Pois somente o que lhes importava…
    Era o amor a sua Pátria…
    A conquista da liberdade e assim por dizer…
    A sua tão merecida independência.

    Mulheres que derrubaram muros com os dedos

    Cada uma do seu jeito e na sua época, elas reviraram os costumes, enfrentaram as conseqüências derrubaram preconceitos e abriram caminho para as nossas conquistas. Mulheres que servem de exemplo e modelo não só para outras, mas para todo ser humano que não perdeu a esperança e a capacidade de sonhar.

    Cada qual com seu jeito…
    Cada qual com seus ideais…
    Cada qual com seus sonhos…
    Procuraram abrir os seus caminhos…
    Tais quais guerreira bandeirantes…
    Deixando de lado a segurança de antes…
    Um a um foram derrubando os preconceitos…
    Sempre tentando ao seu jeito…
    Fazer predominar os seus conceitos.

    Mulheres que fazem artes

    Num mundo dominado por costumes conservadores, elas abriram caminho munidas de talento, intuição e carisma, vencendo pela capacidade e não pela força; pela sensibilidade e não pela imposição. No palco, na música, nas telas e nas letras, diante das Câmeras ou no esporte, elas deram asas à sua criatividade, seduzindo multidões e tornando-se orgulho da nação.

    Mulheres cantoras…
    Mulheres atletas…
    Mulheres letradas…
    Mulheres poetisas…
    Cada qual dominando sua emoção…
    Pelas conquistas do coração…
    E fazendo deste país… O orgulho da nação.

    Mulheres que dão samba

    Desde suas origens, o papel delas é preponderante. Sob a aparência de fragilidade e submissão, sempre estiveram por trás das grandes decisões e vitórias que marcaram a história do nosso carnaval.

    Mulheres que dominaram o todo…
    Mulheres que fazem parte de um tudo…
    Mulheres que fazem parte de nossas vidas…
    Mulheres que sem a sua presença…

    Não saberíamos como viver…
    Pois além de nos dar a vida…
    Fazem parte de nosso envelhecer.

    Bendita és tu, Mulher!

    A luta pelo reconhecimento da causa feminina teve como fruto à constatação de que as verdadeiras heroínas são aquelas que tem coragem de ser simplesmente mulheres. De dentro de seus lares ou nos postos de trabalho, direta ou indiretamente, elas continuam participando das mudanças do nosso Brasil, mães, tias, avós, professoras, chefes, amigas, namoradas, companheiras. Quem não tem em sua vida um momento inesquecível marcado por uma mulher?

    MULHER!!! MULHER!!! MULHER!!!
    És tu a criatura mais nobre…
    És tu a criatura mais meiga…
    És tu a sublime criação…
    Mulher!!!

    Não há no mundo…
    Nada que se compare…
    A beleza interna de tu meiga e nobre
    Mulher Brasileira!!

    A ESSAS E TANTAS OUTRAS…

    Essas que se embrenharam mata adentro e se negaram aos colonizadores
    E as que colaboraram e casaram com eles,
    Essas que se embarcaram ainda crianças
    E as que ultrapassaram os limites da chegada,
    Essas que levaram chibatadas e marcas de ferro quente
    E as que se revoltaram e fundaram quilombos,
    Essas que vieram embaladas por sonhos
    E as que atravessaram nos porões da escuridão,
    Essas que geraram filhas filhos,
    E as que nunca pariram,
    Essas que acenderam todas as espécies de velas
    E as que arderam nas fogueiras,
    Essas que lutaram com armas
    E as que combateram sem elas
    Essas que cantaram, dançaram, pintaram e bordaram
    E as que criaram empecilhos,
    Essas que escreveram e traduziram seus sentimentos
    E as que nem mesmo assinavam o nome
    Essas que chamaram por conhecimentos e escolas
    E as que derrubaram os muros com os dedos,
    Essas que trabalharam nos escritórios e fábricas
    E as que empunharam as enxadas no campo,
    Essas que ocuparam ruas e praças
    E as que ficaram em casa,
    Essas que quiseram se tornar cidadãs,
    E as que imaginaram todas votando,
    Essas que assumiram os lugares até então proibidos
    E as que elegeram outras,
    Essas que cuidaram e trataram dos diferentes males
    E as que adoeceram por eles,
    Essas que alimentaram e aplacaram os vários tipos de fome
    E aquelas que arrumaram a mesa,
    Essas que atenderam, datilografaram e secretariaram
    E aquelas que lavaram e passaram sem conseguir atenção,
    Essas que doutoraram e ensinaram
    E as que aprenderam com a vida,
    Essas que nadaram, correram e pularam
    E as que sustentaram a partida,
    Essas que não se comportaram bem e amaram de todas as maneiras
    E as que fizeram sem pedir licença
    Essas que desafinaram o coro do destino
    E as que com isso abriram alas e asas,
    Essas que ficaram de fora
    E aquelas que ainda virão,
    Essas e tantas outras que existiram dentro da gente
    E as que viveram por nós.
    Este enredo fala de grandes mulheres que ao longo de cinco séculos fizeram a história do Brasil, lutando em prol de seus ideais, que acreditavam ser verdadeiros, e acabaram sofrendo por obnegação…

    Índias, negras, brancas, santas ou pecadoras, valentes ou vilãs, ricas ou pobres, famosas ou anônimas, elas nos ajudaram a entender melhor o Brasil de hoje. Na Colônia, no Reinado, no Império, na República, nos dias de hoje, no Samba e, sobretudo no reconhecimento as defensoras da causa feminina.

    Bendita és tu entre as Mulheres do Brasil é uma ode à Mulher Brasileira, não apenas às heroínas, mas aquelas que têm a coragem de ser simplesmente mulheres. Amor, coragem, luxúria, crueldade, paixão, sabedoria… De quantos ingredientes são feitas às vidas dessas mulheres que trazem em si o “Germe da Vida” e enfrentam, muitas vezes sozinhas, a dor e a morte. Algumas, de vida singular, ficaram registradas na história da humanidade.

    Milhões e milhões de outras, anônimas, cuidam de seus pequenos universos, provedoras de bem-estar e afeto, mas que deixaram marcas para sempre em nossas vidas…

    As mulheres sempre deram mais vida ao Brasil: a Porto da Pedra só ajudou
    a dar mais brilho a vida destas mulheres.

    Autor: Cahe Rodrigues
    Carnavalesco

    Colaboração: Schuma Shumaher
    Erico Vital Brazil
    Paulo Fuentes

  6. Encontrei um Samba Enredo que fala sobre o projeto de Pereira Passos para o Rio de Janeiro. O samba é de 1997 da escola União da Ilha do Governador.

    Cidade Maravilhosa, Sonho de Pereira Passos

    O meu pensamento voa
    Me leva ao infinito
    Vou girando meu compasso
    Passo a régua e mudo o traço
    Fazendo o Rio ficar mais bonito

    Botei tudo abaixo (botei)
    Levantei poeira (levantei) (bis)
    Dei muita porrada (eu dei)
    Taí o Rio que sonhei

    O carioca…
    Ah!… O carioca está contente
    A alegria bailou no ar
    Gozando de boa saúde, muda de atitude
    O esporte já pode praticar

    No jogo de bola (com muito prazer)
    O banho de mar (se tornou lazer) (bis)

    Fiz brilhar…
    Pintei meu Rio com retrato de Paris
    Com a cidade iluminada
    O carioca tem a noite mais feliz
    Mostrando ao mundo a riqueza nacional
    Meu Rio agora é Belle Époque tropical
    A burguesia me levou ao Teatro Municipal
    Berço de boêmios seresteiros
    Fervilham os bares do meu Rio de Janeiro
    Amanheceu…
    Amanheceu, floresceu um novo dia
    Vou passear, extravasar minha alegria
    De bem com a vida eu tô ô ô ô…
    É lindo o meu carnaval
    E hoje o Rio se tornou cartão postal

    Lá vem a Ilha que vem
    Toda gostosa também (bis)
    Cantando o Rio, cidade maravilhosa

  7. CARNAVAL

    Meu gozo foi cerceado,
    lacrado no cimento da Sapucaí.
    Mas sou rebelde e não me dei por vencido.
    Malandro, escorreguei para a Lapa e para as ladeiras de Santa, me espalhei no centro do Bola Preta,
    até em Copacabana pulei com o meu Peru Cansado!
    Não quero mais que me roubem as mulatas roliças,
    o Bloco das Piranhas, o estigma do Clóvis!
    Meu samba é de rua e de preto, me respeitem se eu for ao seu salão!

    DENISE LIMA

  8. Quando pesquisei a história do carnaval,fuipelo caminho mas difícil porque os textos que encontrei mencionavam festas dionisiacas,entrudo…o que acabou me dificultando a confecção do roteiro.Fred Góes com seu bom humor, me fez resolver algumas questões que ainda me intrigavam.Tudo ficou mais claro a partir do meu entendimento de como começou o carnaval de fato,suas transformações,passando pelo resgate da marchinha e dos blocos que arrastam milhões de foliões pelas ruas.
    A Marquês de Sapucaí se transformou em palco de um espetáculo para promover marcas e personalidades, ,gerando enredos que chegam a ser constrangedores.
    O carnaval me encanta desde criança.Trabalho com marchinhas e gosto de canta-las.Os sambas de empolgação gravados até os anos 80 também continuam animando foliões nos carnavais atuais.No mês de junho, fiz um show para a terceira idade.Alguns idosos chegaram ao teatro de ambulância,mas durante o espet´culo ,um deles veio ao palco e cantou comigo.Dias depois, soube que ele recuperou durante o evento, parte da memória pregressa que havia perdido.Imaginem a minha felicidade… a marchinha alegrando os corações em pleno mês de junho e tendo um efeito terapêutico para esse senhor!
    Braguinha é o compositor que me fascina.Suas composições são ricas em letra e melodia.Amo Yes,Nós Temos Banana!… Genial! Passo o carnaval cantando marchinhas e me divirto muito nos dias de momo alegrando os foliões com meu trabalho.

  9. Mas lembranças à parte, o Fred Goés demonstrou perfeito domínio do assunto. Foi uma aula divertida e esclarecedora. Só não concordei quando ele disse que as igrejas evangélicas proíbem as senhoras de desfilarem na ala das baianas. A filiação à igreja como membro ou o desligamento dos mesmos, são voluntários. No caso da filiação recebe-se orientações quanto aos usos e costumes da mesma. Toda igreja possui as suas regras de fé e prática que são compatíveis com as leis do país. Uma vez aceita, as regras devem ser seguidas, o que não difere das outras religiões que também têm seus usos e costumes. Do surgimento do protestantismo até os dias atuais percebe-se heterogêneos preceitos dogmáticos, pois cada denominação faz a sua própria interpretação da bíblia e muitas vezes os pontos discordantes são mais evidentes do que os concordantes. Discordei de um quebradeiro quando o mesmo fez um trocadilho se referindo à Igreja Renascer em Cristo como “enriquecendo em Cristo”, uma vez que maus obreiros encontramos em todos os segmentos religiosos e ainda que o pensamento capitalista venha influenciando TODAS as religiões, existem os que exercem com sinceridade e idoneidade a sua crença. É necessário que preservemos o respeito uns às crenças do outros.
    Sou evangélica e acho linda essa diversidade de manifestações culturais, incluindo as religiosas. Para se ter uma idéia sou fascinada por Folia de Reis e não me seguro de emoção quando ouço o som de uma cuíca ou de uma bateria inteira em execução. Alô meu povo quebradeiro!!! A Hora é essaaaaaa! Vamos quebrar tudo!!!!! Fora toda intolerância religiosa!!!!

  10. Mulher-Hiena

    Linda, louca, livre.
    Intensa, híbrida, simples.
    Foi mordida por uma hiena
    Numa véspera de carnaval.
    Recebeu uma alegre maldição serena
    Que perdurou nos quatro dias de bacanal.

    Da Baixada Fluminense
    Já ouvia o ronco da cuíca
    Que vinha da apoteose
    Seus quadris e suas sapatilhas
    Criavam vida própria
    Numa hipnose.

    Ao som do pandeiro e do reco-reco
    Balança as ancas feito um boneco
    Juntam-se a sua volta
    Sambistas, mulheres, gays, crianças e velhos
    Entre cerveja, churrasco e batucada
    Envolve a todos com seu rebolado
    E devora-os sem atraso
    Sob histéricas risadas
    Desgrenhada
    Numa felicidade oca
    Com o sangue dos inocentes
    Escorrendo de sua boca.

    Bacante peluda
    Nua
    Com seus dentes caninos
    Come rindo suas presas
    Que morrem canibalizadas
    Incertas, sorrindo.

    Ela invade blocos,
    Luaus,
    Boleros,
    Pagodes
    E saraus.

    A polícia a procura
    Distinta
    Mas ela some
    Na quarta feira de cinzas.

    Ela está por aí disfarçada
    Na professora,
    Na empregada,
    Na mãe de família,
    Na dona de casa.

    Na poética da narrativa;
    Na surpresa da vida;
    Na temática da poesia.

    Marcio Rufino

  11. Essa aula me fez lembrar dos antigos carnavais que brinquei tanto de clube como em blocos. A família toda participava. Havia uma rivalidade gostosa com outros blocos e um tal de Jorge “Borracha” , descobrimos que era espião. Se infiltrou para copiar modelos das nossas fantasias, toques e evoluções da bateria, essas coisas. Jorge era uma figura muito hilária. Negava tudo e sentindo-se muito injustiçado com as acusações repetia para todos que estava em um lago de crocodilos. Tempos gostosos. Meu pai e meus irmãos faziam parte da bateria, eu como passista e minha mãe foi a rainha do bloco. A direção do bloco ficou de providenciar a fantasia da rainha e sua ida ao salão de beleza. O cabelereiro também era integrante do bloco e enciumado cortou o lindo e longo cabelo da minha irmã, curtíssimo. A indumentária da rainha não saiu e minha mãe teve que providenciar às pressas uma fantasia para a minha irmã. Minha mãe saia na ala das baianas e era uma gozação geral, pois eram bazofiadas e chamadas de “meia-roda”, ou seja não conseguiam dar a volta inteira nas evoluções. Ríamos muito…

  12. Sou do tempo de carnaval em clubes, Em Theresina ia ao Clube dos Diários as 10h da manhã em bloco com primas e amigas da visinhança, a primeira era de gregas, com vestes brancas e coroa de louros dourados, depois de frevistas do Recife, de bailarina (o que ja não era fantasia, era realidade) e de tigresa no bloco do Bafo da Onça. Depois fomos para a Escola de Samba “Brasa Samba”que era uma sucursal do Salgueiro, era vermelho e branco. Saiamos em alas e ai mamãe saiu na ala das baianas, meu irmão tocava surdo na bateria e papai estava na harmonia das alas. Uma família carnavalesca! Os anos passavam e onde era minha escola de ballet passou a ser o ateliê de onde saiam as peças piloto de cada fantasia. Aprendi muito sobre as técnicas de uso de cola quente, recortes, uso de arames para fazer fantasias monumentais… parei de carnavalizar mas a família continuou: minha irmã virou porta-bandeira e minha mãe foi o samba enredo: Baiana Rita. Voltei pra ser a primeira rainha de bateria da escola, tinha que dançar com um pandeirista, foi um barato total!!! Viva o carnaval!!

  13. Mas será que este carnaval contemporâneo tem ainda algum resquício dos carnavais de outrora???Deixo dois textos para que possamos começar o debate:
    “Era no tempo em que ao carnaval se chamava entrudo, o tempo em que em vez das máscaras brilhavam os limões de cheiro, as caçarolas d’água, os banhos, e várias graças que foram substituídas por outras, não sei se melhores se piores.”

    Um dia de entrudo, Machado de Assis

    Extracto do regulamento de 2 de fevereiro de 1858
    “He expressamente prohibido o jogo de entrudo com água, limas de cheiro, lama, fructas podres e outro qualquer objecto.

    Os mascaras não podem usar de caracter alusivo à religião ou pessoas designadas.

    Os escravos não podem usar de mascaras.

    As armas dos mascaras serão de papelão ou madeira frágil.

    Os mascaras por occasião do carnaval só podem transitar pelas ruas até as 8 horas da noite.

    Não se permitte fazer perguntas ou travar conversações com o s mascaras, que não sejam decentes: assim como o procurar descobrir o segredo dos mascaras.

    Serão punidos os mascaras que praticarem actos indecentes ou provocarem rixas.”

  14. uou! gostei da menção ao aspecto religioso na formação festiva – eu acredito muuuito mais nessa origem! (pág.3) Afinal a Folia dedicada aos Reis Magos extravaza a data, retornando em outros momentos festivos do calendário, e variando personagens, ganhando aspectos totêmicos. O Entrudo, como uma festa da elite, e da classe média urbana, é proibitiva quando atinge a todos na rua – mas era principalmente ruim para escravos de ganho – Gregório de Mattos e Guerra fez uma poesia de protesto bem legal. Bom, a referência no Tinhorão pode ser “pop” mas é fraca: a polêmica do “telefone” nunca existiu, pq já era samba o q se chamava de “tango” ou “tango brasileiro” – marco na história dos toca-discos de cêra, que conquistou a Argentina. mas… O painel está bem completo! Gostei!

  15. Essa aula, me faz entender a importância que o Brasil, principalmente, Rio de Janeiro, Salvador e Manaus, tem produzindo a cada ano, com grande talento dos nossos carnavalescos: Joãozinho Trinta, Max Nunes, Rosa Magalhães, Renato Laje e muitos outros. Além, é obvio, dos profissionais/artes: aderecistas, pintores, ferreiros, figurinistas, costureiras, etc. Que reproduzem “arte”, com perfeição. Trazendo a nossa memória, uma “manifestação cultural viva” e de grande importância. São esses profissionais, que trás ao mundo com perfeição, esse grande espetáculo cultural que há seculos é a maior manifestação popular do mundo.

    João Robero

  16. Essa aula, me faz entender a importância que o Brasil, principalmente, Rio de Janeiro, Salvador e Manaus, tem produzindo a cada ano, com grande talento dos nossos carnavalescos: Joãozinho Trinta, Max Nunes, Rosa Magalhães, Renato Laje e muitos outros. Além, é obvio, dos profissionais/artes: aderecistas, pintores, ferreiros, figurinistas, costureiras, etc. Que reproduzem “arte”, com perfeição. Trazendo a nossa memória, uma “manifestação cultural viva” e de grande importância. São esses profissionais, que trás ao mundo com perfeição, esse grande espetáculo cultural que há seculos é a maior manifestação popular do mundo.

    João Robero

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