Carnaval no Rio de Janeiro e nas Américas com Fred Góes

Oi joga água que é de cheiro
Confete e serpentina
Lança perfume no cangote da menina

1989 – Festa Profana G.R.E.S União da Ilha do Governador (RJ)

 

Na aula desta semana o professor Fred Goés apresentou um panorama histórico, geográfico, antropológico e sociológico do carnaval. Esta festa nos contagia todos os anos, neste período, segundo Goés, a vida é como ela deveria ser.

A partir da leitura de belas imagens o professor contextualizou as origens do carnaval e mostrou diferentes manifestações carnavalescas em países como Estados Unidos, Colômbia e no Brasil.

O carnaval do brasileiro contém heranças diversas, provenientes de manifestações culturais estrangeiras e das que aqui nasceram, como o entrudo, que com suas águas de cheiro e algazarra dos escravos foi criticado até ser completamente reprimido. O entrudo foi substituído pelo carnaval à moda europeia, que consistia no corso, um desfile de carros de famílias ricas, ornados com flores. Só mais tarde houve a introdução do samba, que junto com as marchinhas deram origem à trilha sonora presente até hoje nos blocos e bailes de carnaval no Brasil.

Curiosamente a musica, que atualmente é tão marcante no carnaval brasileiro, só veio a se fixar por volta dos anos de 1930, com a popularização das marchinhas, constantemente exibidas pelas emissoras de rádio, principal meio de comunicação da época.

Outra importante distinção apresentada por Fred Góes, foi a diferença entre o desfile de carnaval, instituído por Getulio Vargas, completamente técnico e visando à competição, ao carnaval de rua que tem como intenção a brincadeira e folia, que só a festa da carne proporciona.

O Carnaval do Brasil é um dos exemplos da riqueza da formação cultural do país, trata-se de uma festa multicultural, como o povo que aqui vive, que carrega influências europeias, indígenas e da cultura negra que aqui se estabeleceu.

Fred nos contou que o carnaval é uma data móvel e que a palavra Folião vem de Folie, que quer dizer louco em francês. Contou que no carnaval Colombiano a fantasia de morte é comum, pois existe sempre o desejo de chamar a morte para brincar, e desta forma distraí-la, para que ela se esqueça de levar as pessoas nestes dias. Ele sugeriu a leitura de  João do Rio, autor que falou sobre o carnaval carioca, sugerindo o conto O bebe de tarlatana rosa http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/PauloBarreto/obebede.htm.

O professor apontou como a maior representação da diversidade cultural presente no carnaval, a figura da Baiana, que representa a mãe, o patrimônio humano que traz o vestido rodado com renda de richelieu típico das sinhás, o turbante de origem árabe e o xale e contas de origem africana. Uma indumentária que absorve todo tipo de tradição de festas religiosas, de festas pagãs e de outras culturas.

 

Priscila Medeiros – Bolsista PIBEX PACC\UFRJ

Imagem: obra Entrudo, de Jean-Baptiste Debret (1768-1848).

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