“Coisada” vida, por Angelo Mello

Sei lá… A vida ta meio “coisada”!

Um movimento estranho passa, acontece, percebo que não é somente coisa minha. Tem um clima “coisado” de estranheza no ar pela cidade do Rio.

Ando pelas ruas, vielas, ônibus e a atmosfera de estranheza exala no ar, um cheiro de carne fresca, de suor batido com uma vontade de morder até sentir o gosto de sangue na boca. Será que é coisa minha?

A gente o tempo inteiro anda atento, revindicando que os outros andem na linha. Sabe aquela coisa reta, concisa e esperada a todo o momento? Mas para a gente pode o movimento sinuoso e a possibilidade de uma curva acentuada. Será que esse movimento só pode para a gente?

Sei lá! Isso me dá um “coisado” na cabeça que bate no peito e fica difícil de engolir. É como quando a gente come sem fazer o processo natural. Sabe? Jogamos o alimento pra dentro, rápido, sem olhar, sem sentir o cheiro, sem salivar para depois degustar, quando isso acontece, fica difícil engolir.

A vida tá meio assim, engolir as mentiras contadas como se fosse verdade. Você mente, todos sabem ou percebem a mentira, e fica tudo bem, mas uma garfada engolida com gosto de fel, fica uma azia emocional, que pode virar uma ulcera que faz daqui algum tempo a gente vomitar, ou seja, falar de qualquer jeito, agir de qualquer jeito, sem pensar, como se fosse um impulso, um “fluxorefluxo” puramente emocional, cheio de revolta e amargura, que chega como uma força primitiva, que seja, e depois que passa, vemos o resultado que ficou.

Interessante perceber que nas mídias a mentira é como se fosse um órgão essencial para a vida, ninguém consegue viver sem o intestino, pois ele é fundamental, e na mentira é assim, a merda que sai, tem cheiro, textura e gosto, embora saia de um corpo belo e aparentemente saudável, quando sai todo mundo sabe. Então por que tanta merda, desculpe, mentira?

O clima “coisado” está ficando sério, antes era individual, agora está se tornando coletivo, e o coletivo age muitas vezes sem pensar. E quem paga esse ato impulsivo emocional coletivo?

Alguns se beneficiam com o ato de impulso emocional coletivo, enquanto a gente se embrulha com a merda, os fazedores se recolhem para depois surgirem em outro momento, mentindo, dissimulado, com um grande sorriso nas mídias, e com isso, o ciclo continua e quem paga a conta é o povo “coisado”.

 Angelo Mello é quebradeiro da 4ª edição

Foto: Toinho Castro

4 comentários sobre ““Coisada” vida, por Angelo Mello”

  1. Não gostei do seu texto.
    Mentira, adorei!
    Agora, te deixei na dúvida se gostei ou não.
    rsrsrsrsr
    Gostei muito. Dias desses também estudava sobre a mentira, que é instrumento de serviço dos psicopatas.
    Abraço!

  2. Parece que não se sobrevive mais sem a mentira.
    Já existe até fábrica de mentiras. Pensando bem nem é mentira Angelo, é o que a publicidade chama de marketing sobre produtos e como o ser humano e tudo que nele há, hoje pode ser considerado um produto ou uma “coisa”, a coisa debandou para o particular. Um vírus que foi sendo transmitido de pessoa a pessoa e contaminando e que gerou uma mentira generalizada.
    A megalomania, antes vista com espanto e até como doença hoje pode ser uma grande estratégia de marketing pessoal. ´Seria a necessidade de vender o peixe?
    Hoje nem sabemos mais o que é verdadeiro ou não. Aliás, da teoria da existência de muitas verdades, de muitas perspectivas, muitos olhares, caminhamos para a inexistência da verdade, o que significa o mesmo que dizer que cada um conta a sua versão mas no final ninguém acredita em nenhuma ou finge que acredita em alguma ou em todas as versões..
    O mundo hoje não sobrevive mais sem a ilusão da MENTIRA. Lamento afirmar isso, meu caro.
    Mas, se existe a oferta da mentira é porque existe uma demanda por ela, não é mesmo?
    Parece que a mentira impressiona mais. A mentira exige bem mais criatividade, o que a torna mais atrativa. Eis minha teoria particular sobre a mentira, ou como diriam, o meu ensaio sobre a MENTIRA.
    Sou ensaísta, não sabia?
    MENTIRINHAAAAA…. rsrsrsrsr

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