Luz, câmera, ação! Quebradeiras são selecionadas para curso de Cinema

Texto escrito por Pedro Diego Rocha

As quebradeiras Elizabeth Martins, Monique Nix, Rejane Neves e Samanta Sironi estão a postos para registrar tudo e contar histórias, cheias de ideias e planos para vídeos e vida. Elas foram selecionadas para participar da Oficina de Capacitação em Realização e Produção Audiovisual da Escola de Cinema Darcy Ribeiro. O projeto de formação intensiva oferece conhecimento para que os alunos possam aprender e vir a atender às demandas deste mercado, cada vez mais exigente e amplo. E esse quarteto tem aproveitado para colocar projetos e talentos para trabalhar em equipe.

Com aulas que acontecem de setembro de 2016 a março de 2017, de segunda a sexta-feira, no período da manhã e cineclube aos sábados, o curso tem o total de 600 horas. Com teoria e prática, o grupo quebradeiro e os outros 31 alunos que foram escolhidos aprendem a fazer roteiro, produção, linguagem fílmica, direção de atores, edição, montagem, fotografia e exercícios de filmagem para curtas de um e cinco minutos.

Samanta, Elizabeth, Monique e Rejane (Crédito: Arquivo Pessoal)
Samanta, Elizabeth, Monique e Rejane (Crédito: Arquivo Pessoal)

Passado, presente e futuro audiovisual

Um dos requisitos para a seleção era ter experiência mínima em cinema e vídeo. Cada uma das meninas tinha sua ligação, motivação e história com as câmeras. A pesquisadora, contadora e atriz Samanta foi buscar na oficina embasamentos técnicos para poder elaborar seu filme sobre o mapeamento afetivo e criativo da UQ. “Dentro do cinema, tenho planos de continuar a fazer curtas metragens, aperfeiçoando a técnica para poder tentar participar de festivais e editais”, comenta Samanta, que deseja, ao final das aulas, trabalhar nesse segmento como profissional.

Já a poeta e produtora cultural Monique Nix decidiu se inscrever para transformar seus poemas em produtos audiovisuais, unindo o cinema – com quem ela conta ter um sério relacionamento amoroso – e a arte, que ela tem como trabalho. “Meus planos são transformar meus poemas em filmes, instrumento de denúncia e pensamento crítico. Ampliar os horizontes e alcançar um número maior de pessoas no mundo”, ela adianta.

Rejane conhece a área há dez anos, quando fez um curso na CUFA. A quebradeira, graduada em Letras e mestre em Linguística, acredita que os ensinamentos do projeto da Darcy Ribeiro combinam muito bem com o que aprendeu na faculdade e com a aprendizagem adquirida na UQ. “A oficina é apenas uma iniciação, portanto é preciso dar continuidade e seguir nos estudos”.

Desde que participou, no começo deste ano, do concurso Food 2.0, a produtora cultural Elizabeth Martins se interessou no cenário cinematográfico. “Estou me dedicando ao máximo. todos os planos investidos nessa área. Já tenho mandado projetos para editais e na própria escola”. Integrante do Cinema de Guerrilha da Baixada, ela destaca que este tipo de projeto de cineclube tem um papel social em locais onde “sabemos que o incentivo à cultura não é prioridade”.

A maioria dos filmes exibidos pelo Cartel Adélias será de produção independente (Crédito: Arquivo Pessoal)
A maioria dos filmes exibidos pelo Cartel Adélias será de produção independente (Crédito: Arquivo Pessoal)

Um cartel de mulheres para afrontar

É justamente esse senso de dever público, social e cultural, ligado à vontade de mudar os cenários e de crescer no campo do audiovisual, que fez as quebradeiras e outras alunas da oficina se reunirem em uma causa: o Cartel Adélias. Um coletivo formado só por mulheres estudantes de cinema que pretende promover obras de direção e produção femininas, em sessões de cineclube, acompanhadas de debate, música e poesia.

O nome do projeto faz uma homenagem à primeira cineasta negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, a mineira Adélia Sampaio e sua “presença” traz uma espécie de benção em relação à luta e a resistência. A escolha da palavra “cartel”, no sentido de anúncio, tem um propósito político e desafiador. “Um grupo de pessoas que se une para dizer algo a alguém. Nesse sentido, seriam as mulheres quererem dominar esta área do cinema que é tão predominantemente masculina. A gente veio meio que para afrontar”, explica Samanta.

“Temos objetivos bem variados, dentro e fora da Darcy, seja via cineclube ou promoção de filmes, mas sempre com foco feminista ou respeito às minorias. Nós fizemos nosso primeiro curta de um minuto”, conta Monique. As quebradeiras estão a todo vapor, produzindo e colocando os ensinamentos adquiridos em prática, fazendo projetos e curtas que, com certeza, estarão ganhando editais daqui a algum tempo.

O lançamento do coletivo Cartel Adélias acontece no próximo dia 15 de dezembro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, localizada na Rua da Alfândega, n°05, Centro do Rio. O grupo preparou debate, sarau e exibição de curtas (um deles produzido pelo próprio Cartel e dirigido pela quebradeira Elizabeth Martins, chamado “Unos Cuantos Piquetitos”), além da presença da própria Adélia Sampaio. O evento é gratuito, livre, tem apoio da Universidade das Quebradas e é aberto a todos, menos aos preconceituosos. A ocasião é para celebrar a reunião de mulheres que querem fazer a diferença na cena audiovisual, quebrar barreiras e serem vistas, na frente e por trás das telas.

 

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