Natal idade, por Felipe Boaventura

Ouvi um barulho na chaminé e corri de emoção para a sala da nossa casa. Quando cheguei, com cuidado porque estava tudo muito escuro, ele estava lá: grande, de cabelos e barba branca e roupa vermelha. Papai Noel!! Quase gritei assim, mas me escondi atrás da pilastra para observar com sorriso no rosto, o que ele fazia.

Ele mexia numa espécie de mala ao seu lado, e em nossa árvore de natal. Parecia arrumar alguma coisa com certa pressa, mas estava tão atrapalhado com os enfeites que parecia meu pai quando montamos a árvore. Entendi rápido o que acontecia: como Papai Noel tinha muitas casas para visitar, ele veio antes do dia 25 e está com pressa. Pobre Papai Noel..

A mala também devia ser por essa razão. Para ganhar agilidade ele usava uma mala menor, igual a do meu pai, para carregar os presentes menores. O saco grande devia estar no trenó ou como eu imaginava, ele era só uma história para as crianças que não aceitariam uma simples mala de pai como uma mala do Papai Noel, claro! Eu sabia!

Então ele foi na direção da tomada e as luzes do pisca pisca se acenderam. Quando por um momento se virou para trás, eu levei um susto! Não é o Papai Noel que está na minha sala! É o meu pai! Mas ele colocou os presentes na árvore…  e está de vermelho, quer dizer, com aquela camisa vermelha que ele tem… e a mala com os presentes, é! a mala de presentes… é a mala de ferramentas do meu pai? Papai Noel não existe??

Voltei para o quarto na ponta dos pés para que meu papai-pai-noel não me visse, e na cama, dormi pensando na barba branca do “bom velhinho” e na camisa vermelha e mala do meu pai. Pela manhã, não havia mais presentes na árvore. Não perguntei nada para ninguém e assim fomos para a igreja. Pela primeira vez prestei atenção ao que o pastor falava sobre o sentido do natal, do pequeno Jesus de Nazaré que havia nascido para alegria e esperança dos homens.

Já em casa, não resisti e fui direto ao meu pai perguntar: Pai, Papai Noel, não existe não é? Ele me olhou um pouco surpreso, me puxou para um canto, se abaixou e me falou que Papai Noel existia sim, mas para quem acreditava nele. Eu sorri. Ele também. E juntos abrimos os presentes que “Papai Noel” havia deixado.

O que eu poderia fazer? É meu pai. Eu não poderia estragar a magia para ele.

Foto: alex27

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