O que dá sentido aos textos que escrevemos? Pós-aula

A professora Sandra Portugal fechou o último encontro de terça-feira com intuito de complementar a aula anterior sobre a estruturação de parágrafos. Para continuar o desenvolvimento da ideia de construção de um bom texto, Sandra elaborou um exercício prático para os alunos, pedindo que eles se dividissem em grupos. Ajudou-os a se reunirem, entoando para dar inicio a dinâmica: – “Procurem-se, irmanem-se…”; e alertando: – “Desapega, gente!”.

Com os grupos formados, Sandra distribui a cada um deles um envelope. Dentro do envelope havia quatro trechos de um texto maior, fragmentados e desordenados, estrategicamente. A dinâmica consistia em, numa leitura atenta pelos membros do grupo, organizar os quatro papéis – os quatro parágrafos – que faziam parte de um mesmo texto, procurando “dar sentido” através da escolha da forma numerada dos parágrafos. Enquanto os grupos discutiam como iriam ordenar os trechos, Sandra orientava: é preciso pensar do que se trata a narrativa, tendo em vista que cada grupo trabalhava com um autor diferente: – “O nosso caminho pra dar sentido é o que importa.” Para completar os textos, alguns grupos pensaram em questões importantes, por exemplo, a coerência de um ponto chave para encaixar os trechos e a temporalidade dos fatos, no caso de uma narrativa documental ou biográfica. E viam que esses caminhos ou estratégias surtiam efeito quando liam o texto por inteiro: “Esse aqui fecha!”.

Assim que os grupos montaram seus quebra-cabeças, Sandra entregou os textos na integra de onde se desmembraram os trechos, para se certificarem da origem dos textos – autor, fonte, data etc. O texto matriz deu aos alunos uma noção de formulação das estruturas dos parágrafos e o modo como eles foram construídos, de maneira a entender o sentido total dele, sendo este um capítulo de um livro, uma carta ou periódico. E como parte final da dinâmica, Sandra pediu que os grupos criassem uma apresentação sobre o texto, para que este fosse compartilhado com todos, utilizando da criatividade para “chamar atenção”. Segundo Sandra, o importante é que o texto diga muito para os alunos, pois a finalidade da aula é transmitir o conteúdo rico.

Criatividade mesmo não faltou aos grupos. O primeiro grupo utilizou fantoches para realizar a leitura performática do texto que falava da história de Malcom X, recorte do livro de Lilian Thuran. Eles deram voz a um sapo para contar a história do líder político norte-americano que se dedicou à luta pela democratização da cultura afro-americana. O segundo grupo se deteve a expressar uma carta de José do Patrocínio à princesa Isabel, de 1887, no qual denunciava a conjuntura social escravocrata do Brasil, com fortes criticas a postura hesitante da monarca, mediante a tomada do movimento abolicionista. O terceiro grupo interveio com um canto afro, de invocação aos orixás, até que um dos alunos gritou “Eu sou Luísa Mahin” – foi possível até imaginar o som dos tambores. O texto encenado conta a trajetória de Luísa Mahin ou Luísa Gama (mãe de Luís Gama), mais uma voz pela liberdade negra. O quarto grupo realizou um esquete baseado numa carta autobiográfica, escrita por Luís Gama destinada a Lúcio Mendonça. Toda a cena se fazia enquanto as personagens de Luís, que escrevia, e Lúcio, que narrava à história, se abraçassem ao final da encenação. O quinto grupo fez uma apresentação teatral, utilizando objetos como cadeiras e livros, para demonstrar suas impressões sobre o relato de Joel Rufino dos Santos, leitor ávido aos sete anos de idade e como se deu seu amor pelos livros. O grupo levantou questões sobre a importância da leitura e de como a perspectiva de vida das famílias brasileiras interfere para com esta situação educacional tão atual e preocupante em nossa sociedade.

Sandra encerra mais uma aula nesse clima de “construindo sentidos”, fragmentos de textos que dão sentido a história do nosso povo. Agora, como serão os nossos parágrafos, que sentidos daremos a eles para chegarmos a completar nossas ideias?

Referencias:

Santos, Joel Rufino dos. Como me apaixonei por livros.
THURAM, Lilian. As minhas estrelas negras: de Lucy a Barack Obama. Lisboa: Tinta-da-China, 2013.
GONÇALVES, Ana Maria. Um defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2006.
Carta de José do Patrocínio à Princesa Isabel. A SUA ALTEZA, A REGENTE. Cidade do Rio, 21 de novembro de 1887.
Luís Gama: Novos Estudos, n. 25. São Paulo, CEBRAP, outubro de 1989.

 

 

Rafaela Nogueira – Bolsista PIBEX PACC\UFRJ

1 comentário sobre “O que dá sentido aos textos que escrevemos? Pós-aula”

  1. fOI UMA DAS MELHORES AULAS QUE JÁ TIVE POIS PODEMOS SER MAIS DINÂMICOS E PARTICIPATIVOS SABER QUAL E O ROTEIRO CORRETO DO TEXTO A QUAL NOS FOI APRESENTADO E DEPOIS MOSTRARMOS PARA O COLETIVO FOI MUITO LEGAL

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