Parede de espelho zinhos – Clarice Azul

O Grito AzulOs astros ainda dançam e contemplo a formosa lua,

encantadora lua ao léu não se governa…

a luz emana do seu rosto frio,

busca a beleza na beleza em desatino

Ando bêbada, perdida,

tem pena de mim

me tira dessa solidão

Sento sem vacilar e sinto algo na mão:

Uma chave.

Olha em volta e sem mais enfia no buraco;

Sente o ranger da chave antiga e não desiste: cliq rammm clique!

e ela cede…e atravessa o pequeno jardim

a porta cede e entro sem medo

muito pó, uma torneira com água enferrujada

com cheiro de ferro e pó molhado

me lavo e vou andando…

esqueço a torneira aberta e

encontro um quarto com uma cama de molas,

há uns panos pendurados

e agradeço…

deito e minha alma bate palmas.

Durmo um sono negro e sinto ressoar as folhas secas.

Acordo com sede e vejo a luz entrando…

Brilham cacos de espelho miúdos na parede

Pássaros passarinham pelo quintal,

Lavam minha alma

Estou só e sem desculpas,

É domingo!???

 

Rio, inverno de 2014

 

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