Pré aula 13: Apresentação do Projeto Diálogos Urgentes

10h às 12h Oficina de Cordel –  Prof. Aderaldo Luciano – Encontro 1

12h às 14h Almoço no Badejão – Faculdade de Letras

14h às 16h Apresentação do Projeto Diálogos Urgentes, o intercâmbio realizado em três instituições de excelência nas cidades São Paulo, Salvador e Nova Olinda (CE), respectivamente Pombas Urbanas, Pracatum e Fundação Casa Grande Memorial do Homem Kariri.

Os grupos apresentarão as experiências vividas, trocas, propostas de calaboração e interfaces com a UQ.

Visitem os links:

http://pombasurbanas.org.br

http://www.pracatum.org.br

http://www.fundacaocasagrande.org.br

16h às 16h15 Café

16h às 18h Território da UQ

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO UNIVERSIDADE DAS QUEBRADAS 2015
Professor Aderaldo Luciano
TÍTULO DA AULA. Facões, quicés e canivetes: alguns cortes cordelísticos na face lívida da poética brasileira.

 

PRÉ-AULA. 1. No final do séc. XIX e início do séc. XX, a cidade do Recife, em Pernambuco era o centro cultural e político do Nordeste Brasileiro. A sua Faculdade de Direito recebia os pensadores e literatas que construiriam a cultura brasileira: Castro Alves, Tobias Barreto, Ireneo Joffily, Sílvio Romero, Augusto dos Anjos entre outros passaram pelos seus corredores e sentaram em suas salas de aula. Paralelamente a isso, um grupo de poetas oriundos do sertão e da Zona da Mata paraibana começou a publicar em rústicos folhetos seus poemas longos e paródias, pensando o dia-a-dia do povo trabalhador da futura metrópole: era o cordel que surgia pelas mãos de Leandro Gomes de Barros, Silvino Pirauá de Lima, Francisco das Chagas Batista e João Martins de Ataíde.

  1. O cordel brasileiro é uma forma poética fixa e exige de seu autor o conhecimento de sua engrenagem e funcionamento. O poeta necessita conhecer: a estrofação do poema (sextilhas, septilhas e décimas); o verso fundamental cordelístico: o setessílabo; noções de rima e ritmo (rima toante e soante), acentuação dos versos; o aparecimento do acróstico como assinatura do poeta; elementos extraídos das obras épicas clássicas: invocação, oferecimento e trama; o que é um personagem em cordel (exemplos: João Grilo, Cancão de Fogo, José do Telhado, Donzela Teodora); os casos de amor.
  2. Desde a segunda metade do séc. XX que a cidade de São Paulo viu o cordel sendo impresso e distribuídos em suas ruas, bem como sendo levados para venda no Nordeste. A Editora Prelúdio foi a primeira a se interessar pelas histórias de cordel nascidade no “norte”. Com a presença do poeta Manoel D’Almeida Filho coordenando suas ações transformou-se na grande voz cordelística brasileira. A Editora Luzeiro sucessora da Prelúdio consolidou a prática e começou a reunir poetas e público amante dessa arte poética. No Rio de Janeiro, um autor chamado Arthur da Silva Torres, planta a semente do cordel na década de 30 do século passado. Segue-se a implantação de A Modinha Popular, a criação da Feira de São Cristóvão e a criação da Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Passado o tempo, a contemporaneidade viu surgir a Caravana do Cordel como movimento fundador de novo pensamento sobre o cordel agregando poetas e pesquisadores.
  3. É muito comum colocar todas as formas de poesia oriundas do Nordeste sob o mesmo nome de cordel, entretanto há diferenças essenciais que a distinguem em vários aspectos. O repente dos cantadores improvisadores violeiros, o coco de embolada, o “poema matuto”, a rezas e benditos, as canções e os poemas curtos de inspiração bucólica ou de gracejo, todos são confundidos e colocados lado a lado no mesmo leito. O cordel difere de todos em sua textura poética, cultural e linguística. O seu produto escrito difere dos seus primos orais. O papel é seu suporte mais legítimo desde sua origem no Recife, impresso em máquinas tipográficas elétricas ou pequenos prelos manuais. Com o aparecimento da xilogravura passou-se com o tempo a confundi-la com o cordel. O próprio folheto terminou por assumir posto de sinônimo do cordel, mesmo quando este tomou para si suportes mais robustos.
  4. Desde a época dos fundadores que o cordel teve, claramente, momentos poéticos e episódicos que o consolidaram na história nacional. Leandro Gomes de Barros e seus principais folhetos; João Martins de Ataíde e a confusão na autoria de seus cordéis; Francisco das Chagas Batista e a criação da Popular Editora; a querela do Pavão Misterioso; a escrita de José Pacheco colocando Lampião no Inferno; Manoel D’Almeida Filho encontrando a Prelúdio e publicando seus clássicos; a crise no início dos anos 80; a retomada gloriosa no séc. XXI; a escrita feminina autenticando seu espaço; as academias, as associações, seus erros e acertos; novas editoras na cena cordelística. O cordel hoje.

LINKS PARA VISITAR E LER

http://jornalggn.com.br/blogs/aderaldo-luciano

http://revistaphilipeia.com/2015/03/16/poetica/

http://www.blogdacompanhia.com.br/2014/06/o-gargalo-do-cordel/

http://www.universidadedasquebradas.pacc.ufrj.br/pre-aula-de-aderaldo-luciano/

 

 

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A Associação Pracatum Ação Social – APAS, fundada em 1994 é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, que realiza programas educacionais, culturais e de desenvolvimento comunitário no Candeal Pequeno de Brotas, em Salvador, Bahia. A Pracatum surge da necessidade da comunidade de se profissionalizar e buscar alternativas para melhorar a qualidade de vida e da inquietação de Carlinhos Brown, que identificando o potencial dos moradores, propõe, através da música, resgatar a herança cultural do Candeal e aproveitar elementos da realidade local para promover a transformação socio-economica.

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Cidade Tiradentes é um palco onde a Comunidade e o Teatro atuam juntos!

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A Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri é uma organização não- governamental, cultural e filantrópica criada em 1992, com sede em Nova Olinda, Ceará, Brasil.

Sua criação se deu a partir da restauração da primeira Casa da Fazenda Tapera, hoje cidade de Nova Olinda, ponto de passagem da estrada das boiadas que ligava o Cariri ao sertão dos Inhamuns, no período da civilização do couro, final do século XVII.

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