Um Rio Quebradeiro

Juliana Barreto do projeto Garrafas ao Mar, desenvolvido pelo grupo de trabalho de cartografia, escreveu sobre a experiência coletiva que aconteceu na última terça feira.

 

Dar a volta por cima, por Juliana Barreto

Dar a volta por cima. Uma expressão do cotidiano que facilmente se adapta a situações onde a vida pede de nós algum tipo de reestruturação. Já dizia o poeta: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”. Quase que uma necessidade imperiosa, “dar a volta por cima” ganhou argumentos científicos por meio da resiliência, empoderando os indivíduos que suportam com criatividade as situações de pressão.
Mas, poderia haver algo mais implícito nessa expressão do que a instantaneidade de nossa época nos propõe? Poderia haver algo mais a ser observado durante esse giro, essa volta por cima? É nesse ponto que eu me situo enquanto escrevo esse texto.
Ontem diante do mapa me peguei literalmente dando a volta por cima. Não apenas essa volta que propõe a canção, eu me permiti subir para olhar a cidade. E muitos são os detalhes implícitos aqui, um deles foi meu distanciamento.
Não nascemos com asas, mas quando nos distanciamos, nosso ângulo de visão se amplia e a maneira panorâmica como passamos a enxergar nos permite essa sensação de sobrevoo.
Sobrevoar, voar por cima de um lugar! Uma necessidade imperiosa.
Dar a volta por cima sobrevoando, seria isso possível? Ontem me permiti um ensaio.
Um mapa me propôs olhar, voar de cima. Ver um todo em forma de gente com suas ações espalhadas pela cidade. Essa cidade onde transitamos, circulamos e corremos. E como corremos. Se paramos, ela nos arrasta. Por vezes ela nos suga, nos sufoca, nos embrulha. Tão grande, mas ainda assim, por vezes parece nos faltar espaço. Eis o momento de dar a volta por cima, pegar distancia e subir num sobrevoo pra de lá conseguir ver o que realmente importa. Olhando do alto, tudo parece pequeno. Mas o fôlego que eu tomo na subida, e o espaço que adquiro no alto traz de volta ao meu olhar a dimensão exata que preciso pra prosseguir.
A corrida me rouba os detalhes. Os pequenos começos, as pequenas ações, os pequenos, as pequenas. Dar uma volta por cima me devolve o olhar, porque de cima o que vejo pequeno é grande. Grandes iniciativas, grandes trabalhos, grandes ações, grande gente.
Ontem eu observei uma cidade. Uma cidade para além de mim. E olhar para além de mim é a mais legítima e duradoura maneira de dar a volta por cima.

 

Vejam uma documentação feita pela Beá Meira deste trabalho com trilha do Ludi Um.

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4 comentários sobre “Um Rio Quebradeiro”

  1. Juliana,

    Em alguns momentos da leitura do teu texto, peguei carona nas asas das tuas palavras e com um desejo só que transita entre os Quebradeiros dessa 4 edição, o exercício do pensamento coletivo, sobrevoei nossa cidade e senti um friozinho na barriga com a emoção que tu nos convida a passear por ela, dando a volta por cima em todos os ângulos, jeitos e gestos!
    Amei essa liberdade do teu ensaio, que se espalha, como a cidade, pra dentro da gente!

    See you beautiful girl!

    Maria

  2. Também gostei. Parabéns, quebradeiros e coordenação pedagógica.A ideia se concretizou e imaginem como o mapa ficaria se contivesse as indicações das outras edições da UQ.Show!

  3. Parabéns, colegas quebradeiros! Amei o mapa (antes já estava lindo, depois de pronto então… Nossa! De tirar o fôlego!)! Curti demais o vídeo da Beá, os territórios sendo construídos… O texto da Juliana Barreto, que não se aguenta de tão feliz ao sobrevoar esses espaços de sonhos e realidades… A música de Ludi Um…
    Beijos e abraços mil! 🙂

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