O Cortiço – O que você extrai de uma leitura?

No encontro do dia 2 de outubro, Sandra Portugal retomou a leitura da obra  O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, convidando os quebradeiros a apresentarem as releituras acerca da obra. Os Quebradeiros BigFree, Ruth Casoy, Santiago, Jussara Santos, Ana Cê, Arminda Freire, Cristina Hare, Tetsuo Takita e João Griot se destacaram em suas performances que envolveram leituras, encenações, música e criação de imagens.

Os quebradeiros mostraram que a leitura do Cortiço foi envolvente e ponto de partida para vários tipos de reflexões de ordem política e poética. Parabéns Sandra por propor esta leitura que sensibilizou e estimulou a turma a realizar todos estes trabalhos.

Sandra ainda nos colocou mais uma questão: O que você extrai de uma leitura?

Rute lendo um trecho sobre Pombinha, Santiago cantando o Cortiço e cenas de O dia em que Bortoleza morreu de novo.

(Por: Wanda Lúcia Batista Bolsta PIBEX –Fac. de Medicina UFRJ- T.O)

Arte: A visão do Miranda e a visão do Romão de Jussara Santos

 

5 comentários sobre “O Cortiço – O que você extrai de uma leitura?”

  1. Beá, você apontou para um aspecto importante: o espaço é realmente personagem no livro. Há um plano em que as pessoas se movimentam e agem. Ali se dão os conflitos de Jerônimo, Pombinha, Piedade, etc. Mas há, na minha opinião, um plano maior em que um gigante se move pesadamente, tentando ganhar espaço ou simplesmente sobreviver.
    Muita gente diz que o cortiço é um personagem antagonista, que se opõe aos seus moradores e os impede de crescer. Não vejo assim. Vejo um cortiço que tem vida própria, que desperta alegre e vibra festivo. Um cortiço que é(era) visto como um problema, mas que se põe(punha) como a solução possível.

  2. Sandra, acabei o Cortiço no feriado. Que maravilha de livro. Muita coisa para ser extraída desta leitura.
    Confesso que sofri mais pela decadência da Piedade, que pela desgraça da Bertoleza, um personagem de uma única fala, não é?
    Mas o que me intrigou de toda a leitura foi a questão do espaço e do tempo.
    O personagem principal é o espaço, o território, o lugar “que da podridão nasce a vida”. Um lugar que se transforma social e moralmente numa velocidade alucinante. Eu me perguntei ao final da leitura; Quanto tempo se passou?
    Quanto tempo se passou entre a chegada de Jerônimo e a partida de Piedade com sua filha? Não me parece o mesmo tempo em que o Romão deixou de ser um molambento sovina para um novo rico esnobe. Quanto tempo levou entre a pombinha ainda menina a espera da puberdade e a prostituta vivida? O que vocês diriam?

  3. Foi delicioso exercitar a possibilidade de se criar com base numa obra já consagrada e reinventá-la /revê-la de outras formas…Uma leitura que ultrapassa as letras e o livro e se revela multiforme.
    Parabéns a todos que se manifestaram e agradecimentos à Sandra , por nos incentivar neste exercício.

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